sexta-feira, 12 de setembro de 2008

RELECIONAMENTO INTERPESSOAL, COMPETÊNCIA ESSENCIAL DO PROFISSIONAL DO SÉCULO XXI



"Quanto mais saudáveis nós somos emocionalmente, mais importantes se tornam nossas necessidades de preenchimento criativo no trabalho. Ao mesmo tempo, menos nós toleramos a violação de nossas necessidades para tal preenchimento."
Abraham H. Maslow

No mundo corporativo, como em qualquer outro ambiente de relacionamentos, tudo gira em torno do poder e da habilidade política. O profissional que domina aspectos de relacionamento interpessoal domina a arte do posicionamento estratégico em uma empresa; torna-se indispensável para a imagem da empresa.
Atualmente, em toda e qualquer organização que almeje obter resultados, não se aceita mais o profissional individualista, exige-se profissionais que saibam trabalhar em equipe, e, sobretudo, saibam se integrar e criar sinergia com as pessoas.
O processo de interação humana está presente em toda a organização e é o que mais influência na direção das atividades e nos seus resultados.
O grupo não é a simples soma de indivíduos e comportamentos, ele assume configuração própria que influência nas ações e nos sentimentos de cada um proporcionando, sinergia, coesão, cooperação e coordenação, simpatia, carinho, harmonia, satisfação e alegria, ou mesmo, antipatia, tensão, hostilidade, insatisfação e tristeza. O mais curioso é que, mesmo o ser humano não conhecendo profundamente as pessoas, possui noções empíricas a respeito das reações dos outros e já desenvolveu certa habilidade para lidar com as formas previsíveis de atuação de diferentes pessoas. No entanto isto não impede que haja distorções no relacionamento interpessoal e interpretações errôneas sobre as pessoas e seus comportamentos em grupo.
A competência técnica de cada profissional é claramente explicitada na ambiência corporativa e se torna reconhecidamente explicito que o profissional precisa ser competente em sua área específica de atuação profissional. A competência interpessoal, no entanto, deve ser reconhecida em com o mesmo grau de importância que as competências específicas da Área de atuação. Desta forma, avaliar a nossa conduta, nossos comportamentos e percepções frente aos outros é o primeiro passo para que haja coesão nas relações grupais, bem como, criar sinergia e condições reais de se ganhar mais competitividade através das pessoas.
As relações interpessoais desenvolvem-se em decorrência do processo de interação. Não há processos unilaterais na interação humana: tudo que acontece no relacionamento interpessoal decorre de duas fontes “eu” e “outro(s)”.
O relacionamento interpessoal pode tornar-se e manter-se harmonioso e prazeroso, permitindo trabalho cooperativo, em equipe, com integração de esforços, conjugando as energias, conhecimentos e experiências para um produto maior que a soma, ou seja, a sinergia. Ou então tende a tornar-se muito tenso, conflitivo, levando à desintegração de esforços e final dissolução do grupo.
Para desenvolver a sensibilidade social e a flexibilidade de comportamento precisamos: melhor conhecimento de si próprio bem como dos diversos tipos de comportamento e atividade, em razão de conflitos interiores que não conseguimos resolver; melhor compreensão dos outros, interpretando-os pelo que eles são e não pelo que desejaríamos que fossem; melhor convivência em grupo, pela percepção dos vários comportamentos em grupo, seu funcionamento e a interação dos indivíduos.
Para nos relacionaremos com mais eficiência com os outros precisamos trabalhar atitudes como: ouvir; informar; elogiar; dialogar; avaliar; disciplinar. Desta forma trabalhe seu autoconhecimento, para que suas emoções não atrapalhem o desenvolvimento de sua carreira.
Segundo C. Reasoning Argyris, competência interpessoal é a habilidade de lidar eficazmente com relações de acordo com três critérios:
a) Percepção acurada da situação interpessoal, de suas variáveis relevantes e respectiva inter-relação;
b) Habilidade de resolver realmente os problemas, de tal modo que não haja regressões;
c) Soluções alcançadas de tal forma que as pessoas envolvidas continuem trabalhando juntas tão eficientemente, pelo menos, como quando começaram a resolver seus problemas.
Cássia Albuquerque (consultora sênior de capital humano) dá algumas dicas para estimular um bom relacionamento interpessoal: desenvolver um espírito de cooperação e trabalho em equipe; fazer pesquisas periódicas de clima organizacional; dar oportunidades para se vivenciar crises e limitações pessoais no ambiente corporativo; manter um canal de comunicação aberto com a equipe, como forma de minimizar tensões e fantasias acerca dos relacionamentos; desenvolver uma gestão mais participativa e com portas abertas; desenvolver um diálogo franco e aberto com todos os membros da equipe, facilitando o feedback. (Fonte: http://www.alcancesolucoes.com.br/artigos/cassia/Relacionamento-Interpessoal-Artigo.pdf).
No livro GREENE, Robert. As 48 Leis do Poder. Rio de Janeiro, Editora Rocco, 2000, é possível encontrar um guia prático do relacionamento, que se segue abaixo:

Paradigma 1: Não se exponha - Deixe para outras pessoas a função de falar de você ou de chamar a atenção sobre o que você faz. Atrair a atenção de forma desmedida é ao mesmo tempo atrair a desconfiança e a inveja alheias. Seja modesto e atue de forma low profile quando o assunto for os seus próprios feitos.
Paradigma 2: Aja de forma desinteressada - Deixe seu talento fluir naturalmente, de forma que nada do que você faça pareça ter custado o esforço que realmente custou. Aja de forma a mostrar que as coisas que você faz pareçam mais simples do que na verdade o são. Ao contrário, você estará se expondo, o que contraria o paradigma 1.
Paradigma 3: Elogie somente o necessário - Deixe elogios para poucos e controlados momentos e, ainda assim, o faça de forma indireta (por exemplo, nunca se refira à sua própria contribuição.
Paradigma 4: Apareça moderadamente - Uma forma de ser notado de forma moderada é adotar um estilo particularmente seu no vestir, no falar e no portar-se. Distancie-se de seus pares, formando uma imagem diferente. Não se esqueça, entretanto dos paradigmas 1 e 2.
Paradigma 5: Saiba identificar o seu espaço muito bem - Adote um estilo e um linguajar para cada pessoa com quem você se relaciona e não caia na tentação de acreditar que todos são iguais perante a lei. Não são.
Paradigma 6: Não seja o arauto da má sorte - Antigamente, os reis mandavam matar os portadores de más notícias porque ou acreditavam que eram eles, mensageiros, que traziam, efetivamente, a má sorte ou porque ficavam com uma raiva incontida e descontavam na primeira pessoa que viam, sempre o mensageiro. Deixe para outra pessoa esta desagradável incumbência. Somente leve boas notícias aos seus superiores. Mas atenção, não se trata de mentir, mas sim de evitar ser carimbado como uma pessoa desagradável na presença do alto escalão.
Paradigma 7: Cada macaco no seu galho - Não se permita adotar uma postura íntima das pessoas só porque você trabalha com elas. Torne-se cordial e aberto, mas jamais íntimo. Lembre-se de que você está trabalhando.
Paradigma 8: Se for criticar, faça-o indiretamente - Às vezes, vai ser necessário tecer alguma crítica sobre um determinado assunto ou sobre um determinado colega de trabalho. Se for criticar, o faça da forma mais indireta e polida possível. Não reclame o tempo todo do seu chefe ou dos colegas de trabalho. Honestidade em excesso é uma grande bobagem. Você não deve acreditar que as pessoas estejam tão interessados nas suas críticas, mesmo que elas tenham razão de ser.
Paradigma 9: Favorecimentos aos mais capazes - Seu colega ganhou um bônus e você não? Seu chefe permite que seu colegas tire uma semana de descanso a mais que você? Jamais peça equiparação. Melhor do que se fazer de suplicante é mostrar que merece os favores que recebe. Entenda os seus próprios limites. A idéia, muito comum, de que fazendo mais você estará merecendo mais ou fazendo melhor é uma bobagem profissional. Economizando tempo e energia, você poderá identificar oportunidades melhores para você.
Paradigma 10: Cada um é cada um - Jamais cite comentários sobre gosto pessoal ou aparência das pessoas, principalmente se forem coisas contadas a você. Preserve a identidade das pessoas com quem você convive no ambiente de trabalho.
Paradigma 11: Não seja sarcástico - Sarcasmo em excesso gera uma marca indelével no profissional, e demora tempo até que as pessoas se livrem da marca. Se for necessário criticar, lembre-se do paradigma 8. Do contrário, adote como default o paradigma 3.
Paradigma 12: Olhe-se como os outros vêem você - Critique-se o tempo inteiro. Durante o expediente de trabalho, muitas pessoas estão observando o que você faz, o seu comportamento, os seus gestos e suas palavras. Seja seu próprio espelho e critique-se sempre.
Paradigma 13: Seja racional - Controle suas emoções ao máximo e aprenda a chorar ou rir conforme a encomenda. Deixe a raiva disfarçada assim como a alegria. Esconda as emoções por baixo de uma aparência glacial, escondendo as emoções de seu rosto. Ninguém precisa saber o que te aborrece mais ou o que te causa mais alegria.
Paradigma 14: Use as vantagens da vanguarda - Deixe um pouco de espaço para ser vanguarda, mas preserve o seu próprio comportamento. Fica muito à frente do seu próprio tempo pode causar incompreensão de seus atos. Fique atento ao paradigma 13.
Paradigma 15: Leve prazer para as pessoas - As pessoas deixam de lado ou ignoram as coisas e pessoas desagradáveis. Torne-se agradável para as pessoas e elas o procurarão e lembrarão de você. Como não se pode agradar a todos por todo o tempo, procure agir desta forma a maior parte do tempo.

BIBLIOGRAFIA
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VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2000.
Neste vídeo, Max Gehringer, especialista em emprego, mostra como ter uma relação cordial no trabalho.

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