domingo, 12 de agosto de 2012

A EVOLUÇÃO DAS RELAÇÕES TRABALHISTAS: NOVOS CENÁRIOS E PERSPECTIVAS NA ERA DO CONHECIMENTO


Resumo:
Transcendemos da Era Industrial, para a Era do Conhecimento, onde deparamo-nos com um ponto de conflito acentuado, presente nesta passagem: o “desemprego tecnológico”. Outro componente a ser considerado é a alteração na estrutura ocupacional e no perfil do profissional, onde se destacam os dotados de competência, criatividade e que se preocupe com o aperfeiçoamento contínuo. Frente a isto, as Instituições de Ensino Superior, também necessitam rever os seus currículos, assegurando assim, aos futuros profissionais o desenvolvimento de espírito crítico, competências de negociação, de debate e de intervenção. Uma educação para além da científica e estética.

“Na pré-história: Uma atividade lúdica;
Na Antigüidade: Maldição divina ou do vencido e escravizado;
Nos primórdios do cristianismo: Forma de expiação do pecado original e meio de compaixão;
No cristianismo da idade média: Remédio para as tentações;
Com a reforma luterana: Um direito e dever ou um meio para a salvação;
Na revolução industrial: Expressão da criatividade humana;
No início do século XX: A maior obsessão;
Nos dias correntes: Uma atividade em questionamento;
No porvir: Resgatando seu sentido original. Uma prática tão natural quanto lúdica”. Martins (1994, p. 5) 1

No passado, o homem trabalhava para produzir o que consumia, seja em vestes, mantimentos ou habitação. Ao constituir as primeiras sociedades, ou povos, o trabalho era recompensado por mercadorias (escambo), como uma espécie de troca. Até então, era possível obter um trabalho por meio de uma simples conversa, sem exigir nenhum tipo de documentação ou comprovação de experiência prévia.
Passa a existir então, o trabalho escravo. Com a introdução da pirâmide social, aos menos favorecidos, foram atribuídos trabalhos sem remuneração, e em geral sequer recebiam em contrapeso, morada e alimento para a sua subsistência.  Prevaleciam os deveres do trabalhador, sem direito qualquer.
Logo após se introduz o trabalho formal. Com o advento da industrialização, a partir do século XVIII e XIX, foi criado o trabalho formal, onde eram determinadas as tarefas e a remuneração devida.
Atualmente vivemos a transição da Sociedade Industrial para a Sociedade da Informação e do Conhecimento. Com a revolução dos sistemas de comunicação, grupos se organizam em rede (conexão de cérebros humanos, instituições, livros e computadores) trabalhando a informação de forma multi e interdisciplinar, buscando suscitar conhecimento novo, valorizado como sendo de livre circulação e acessibilidade.
Com o fim da era industrial e o começo da era do Conhecimento, apresenta-se um novo desafio para os administradores de empresas. A apreensão principal deixa de ser o comando e o controle, passando a enfocar a coordenação de equipes múltiplas e multi-funcionais, dentro e em meio a empresas. A constituição de um ambiente favorável para estimular a criatividade, a confiança, o aprendizado e que promova a cooperação ininterrupta, são os objetivos da administração, acumulando e gerindo conhecimentos que contribuam para acrescer o seu diferencial competitivo no mercado.
Para sustentar a compreensão do que é a “Nova Economia” (conhecida igualmente como “Era do Conhecimento” ou “Era Digital”), é proveitoso especificar a definição de conhecimento. Constatam-se determinada confusão entre o significado de dados, informação e conhecimento. Dado é um conjunto discreto de ocorrências objetivas sobre os acontecimentos, uma estrutura de registros e transações; a informação é uma mensagem na configuração de documentos, provê um formato aos dados de forma que o receptor a compreenda de maneira que lhe caracterize um ambiente ou uma fonte para insights. Os dados são transformados em informação à medida que são contextualizados, categorizados, calculados, corrigidos ou condensados. Estas tarefas são de modo pleno atendidas pelos sistemas de Informação.
Quando a questão se estende para o conhecimento, todo trabalho de processamento da informação depende da interação humana, a transformação acontece através da análise via: comparação - a situação é comparada às situações já conhecidas; conseqüências - qual a decisão ou ação que precisa ser adotada mediante as informações apresentadas; conexões - como os pedaços de conhecimento se relacionam à informação disponível; e, conversação - o que as outras pessoas crêem sobre esta mesma informação.
Um ponto de conflito acentuado, presente na passagem para a Era do Conhecimento, é o desemprego tecnológico. As inovações tecnológicas, de acordo com a história são responsáveis por desemprego, devido a vários motivos. Um aspecto a se considerar é o do aumento da produtividade com as novas tecnologias e a conseqüente racionalização dos processos e redução da necessidade de mão-de-obra. Naturalmente, existem efeitos compensatórios, como a criação de novos produtos, serviços e mercados. Portanto, não é trivial determinar-se o impacto da tecnologia no emprego. Outro elemento a ser considerado é a alteração na estrutura ocupacional e no perfil da força de trabalho. No momento em que a tecnologia extingui posições de trabalho de um determinado perfil profissional, geralmente cria outras posições em maior ou menor quantidade em outro ponto da indústria, para empregar trabalhadores com outro perfil profissional. De qualquer forma, constata-se que os trabalhadores menos qualificados, ou com qualificações obsoletas, são mais atingidos pelo desemprego tecnológico.
Uma das alternativas para o desemprego tecnológico é a possibilidade de trabalho denominado de “Terceiro Setor”. As atividades das organizações sociais atingiram um estágio avançado a ponto de serem caracterizadas como um novo setor da sociedade. Este setor tem apresentado um desenvolvimento impressionante, especialmente a partir da década de 80, não exclusivamente no Brasil, mas no resto do mundo. Um setor emergente atrai a atenção de todos que desejam não só conhecê-lo como ainda nele atuar profissionalmente. Esta atração torna-se grandiosa e irresistível, sobretudo pelo fato do setor apresentar como seus grandes capitais, valores e princípios, que praticamente desaparecem em outros setores da sociedade. Os valores humanitários, a ética e a moral se constituem no principal pilar de sustentação das organizações do Terceiro Setor. Não é por meio do poder econômico, que caracteriza o setor privado ou do poder político que emana do Estado, que o Terceiro Setor constrói a sua identidade. Ela vem sendo edificarda pela defesa de causas humanitárias que são traduzidas em ações que promovem o ser humano e buscam uma sociedade mais eqüitativa e igualitária. A caridade e o assistencialismo estão sendo substituídos por ações que transformam pessoas e a comunidade onde elas vivem e se direcionam para a construção de uma nova sociedade. O ativismo das organizações do Terceiro Setor no que diz respeito ao questionamento da natureza do Estado e do setor privado, tem implicações em novas propostas sobre a sociedade que almejamos. Exemplos dessa efervescência de idéias por um mundo mais perfeito, são encontrados aos milhares nos encontros do Fórum Social Mundial. Este novo perfil do Terceiro Setor caracterizado pelo ativismo político contestatório, se constitui em um dos aspectos mais importantes desse fenômeno setorial.
Vivemos na era Pós-industrial, um novo mundo, onde o trabalho físico é feito pelas máquinas e o intelectual, pelos computadores. Nela compete ao homem uma empreitada para a qual é insubstituível: ser criativo e ter idéias.
Na colossal tarefa que o momento reserva às pessoas, onde a expectativa é que o ser mecânico dê lugar ao ser liberto, o referencial teórico freiriano proporciona um importante instrumental a ser adaptado para a reconstrução do mundo do trabalho:

“Ninguém liberta ninguém
Ninguém se liberta sozinho.
Os homens se libertam em comunhão”. (Freire: 1987)2

Assim sendo, o novo milênio nos anuncia que o trabalho é possível e factível, desde que no contexto do trabalho criativo e cooperativo. A exemplo do mundo empresarial em que toda a empresa lida de certo modo com a incerteza, as alianças, compartilhamentos as inter-relações e outras práticas organizativas favorecidas pela tecnologia, são instrumentos de cooperação que nitidamente criam vantagem competitiva. O homem é hábil em lidar com instrumentos, não só com aqueles usados como meio de produção, mas tudo aquilo de que se serve para sua sobrevivência física como social. Deste modo o homem é capaz de abstrair e criar os mecanismos para fora das soluções habituais, mesmo em um cenário hostil, estabelecer relações construtivas que incorporem as reivindicações do mundo do trabalho.
Se a maior parte das páginas de nossa história, e os inúmeros acontecimentos a que assistimos diariamente alimenta o pessimismo, o futuro necessita de toda a nossa criatividade e, por isso, de todo o nosso otimismo para que o trabalhador sustente o seu papel de sujeito (parceiro) e não de mero objeto (recurso).
O discurso que acentua as exigências do mundo do trabalho em uma economia cada vez mais globalizada está adentrando intensamente nos países da América Latina, não exclusivamente nos grupos de poder, mas também, entre os próprios grupos universitários. Uma das concepções da qual deve ser o papel da universidade, delineada pelo modelo econômico hegemônico, assinala, por um lado, para uma universidade que funcione como empresa, afastando cada vez mais o Estado de sua função de provedor de recursos, e, por outro lado, para a possibilidade de formar profissionais em condições de se inserir no mercado de trabalho. Como se poderia, então, refletir de uma outra forma o futuro desta instituição? É importante poder considerá-la de maneira tal, que integre o reconhecimento das transformações do mundo global com o compromisso de participar da construção de um mundo mais igualitário e justo.
A par de que as tecnologias ocasionam consigo coisas boas e más é fácil identificarmos ora uma postura de "tudo defender", ora uma postura de "tudo rejeitar" em relação a elas, quando o importante é promover uma atitude ponderada sobre a sua inclusão nas nossas vidas valorizando-se os seus aspectos construtivos e prevenindo e "desmontando" os negativos.
Não é, portanto, legítimo ignorar as tecnologias, sendo mesmo necessário que todos com elas se familiarizem: crianças, jovens, adultos e idosos. A resistência à incontornável era digital, a resistência à inevitabilidade tecnológica, conduzir-nos-ia a que fossemos cidadãos de um mundo que já não existe. Ao contrário, promover a infoinclusão, desenvolver competências tecnológicas e outras que lhes estão associadas afigura-se essencial em todas as esferas da população, na escola, nas instituições de formação e em toda a sociedade, quer numa perspectiva de formação inicial, quer numa perspectiva de formação ao longo da vida.
Refletir a incumbência da Educação, a sua missão, só apresentará convergência com a contemporaneidade se valorizar uma abordagem T-E-C: Tecnologia, Educação, Cidadania, na qual, a pessoa-aluno, como sujeito em formação, assuma um papel central. Somente nesta perspectiva poderemos discorrer de uma sociedade tecnológica "humanizada”.
No momento de transição que vivenciamos, os modelos de educação/formação baseados em fundamentos economicistas precisam evoluir para modelos centrados na pessoa, assegurando-se em cada cidadão o desenvolvimento de espírito crítico, competências de negociação, de debate, de intervenção e o espírito de inconformismo perante a suficiência.
A emergência de uma educação global com múltiplas dimensões, além da científica e estética: a da educação para o desenvolvimento sustentável, a educação para a responsabilidade social perante o outro e a natureza, a educação ética e antirracista, inter e multicultural; serão favorecidos pela organização de projetos concretos, geradores de contextos que tenham emergência e maior ascensão e centralização na escola envolvendo os principais destinatários da Educação, os alunos, tornando-os uma ampla massa crítica de pensadores reflexivos, o que coloca um abissal desafio para uma mudança de práticas docentes, tendo como motivação estruturante a pessoa aluno.
A revolução informática e digital de nada servem na vida quotidiana, se não for acompanhada por uma revolução da inteligência que consiga articular com o desenvolvimento tecnológico os princípios da dignidade humana, e da integridade do indivíduo, bem como a proteção e preservação da natureza, avaliando-se os riscos de diferentes tipos de manipulações que as tecnologias potenciam especificamente a manipulação genética, dirigida a fins científica e eticamente não controlados, os boatos, a manipulação da informação.

1. MARTINS, Paulo Emílio Matos. O trabalho e as Organizações Pós-Industriais: Maldição de Sisifo ou Divertimento dos Jocis? In: Administração de Negócios. Rio de Janeiro, 1994
2. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

BIBLIOGRAFIA
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
MARTINS, Paulo Emílio Matos. O trabalho e as Organizações Pós-Industriais: Maldição de Sisifo ou Divertimento dos Jocis? In: Administração de Negócios. Rio de Janeiro, 1994.
RESENDE, Adalgisa Bougleux de; BALFINI, Maria do Socorro A. Versiani. Mudanças na natureza do trabalho. P. 34 – 36, Material Apostilado, fornecido pelo Prof. Jorge Maurício de Castro, em 22/07/2005.


Fonte das imagens: Imagens Google

Um comentário:

Adriana Venturim disse...

Olá Rosley,

Sou Adriana Venturim, autora do artigo Gestão Feminina - Um diferencial de liderança - Mito ou nova realidade, publicado em seu blog em setembro de 2012. Fiquei muito feliz de ver que ela foi apreciado e motivo de publicação. Espero que de alguma forma ela tenha contribuído para este fantástico universo da liderança, e mais especificamente a participação da mulher neste universo.

Grande abraço